Publicado por: Jeff Jeffrys Jeffersson | 08/05/2013

PELO NOSSO DIREITO DE SER IDIOTAS (desde que não nos obriguem a isso…)

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Estou eu aqui, teorizando e devaneando com as minhas paranoias e convicções. Procurando enxergar além do véu da ignorância, dialogando com a cascata de informações (verdadeiras ou não) que recaem sobre nossas cabeças, tendo em vista as últimas polêmicas envolvendo o insurgente Lobão, contra um tão bem organizado e direcionado de longa data, sistema de lavagem cerebral que já se demonstra desgastado e de estrutura frágil.

Eis aqui algumas considerações a respeito do grande manifesto cujo lançamento se dá esse mês, a polêmica por ele desencadeada, algumas definições para que não percamos o rumo e uma ideia para começar a sua leitura dessa obra. Assim segue o meu raciocínio.

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Já faz tempo que o Lobão é Lobão e vice-versa. Ele é um cara que não tem medo de meter a boca no que lhe incomoda, um dia já acreditou no poder para a ‘classe trabalhadora’ (assim como eu e alguns milhões de brasileiros). Bebeu na fonte do mainstream, fez sua hora no independente, e desfruta seu status de ‘celebridade’ com a inteligência que se deveria exigir de uma. Lobão é a pedra no sapato de muita gente que não enxerga além do próprio nariz. E assim ele representa, ao denunciar as mazelas e podres desse pessoal que está por aí, escandalizando por sobre nossas cabeças.

O MANIFESTO DO NADA NA TERRA DO NUNCA começa com um prólogo muito interessante, transcrito no site da UOL que você pode ler aqui, repete em algum sentido, o Tim Maia, nos áureos anos ’80 (de que tanto acusam o próprio autor) em sua máxima que diz: “Um país não pode dar certo quando o cafetão é ciumento, a puta se apaixona, o traficante é viciado e o pobre é de direita.”, com as devidas ressalvas: denuncia que a falácia da dicotomia do Estado está (ou sempre esteve) obsoleta. Não existem somente dois lados da mesma moeda. Você pode muito bem ter um discurso social-democrático e não endeusar o Presidente Luís Inácio (até porque de santo, ele não tem nada!).

E é muito necessário e oportuno que se abram os olhos da sociedade, pois ‘nunca na história desse país’ houve tanta bandalheira explícita, tanto descaso pela opinião pública, tanta patrulha acéfala, tanta distorção midiática e tanto cinismo por parte de nossos governantes. Antigos inimigos se aliando por motivos escusos, todos querendo morder um pedaço do bolo de poder assado pela esquerdinha que anda perdendo o senso de direção por aqui.

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Lobão não diz nenhuma mentira quando acusa o Ministério da Cultura de militar em causa própria, liberando verbas astronômicas pela Lei Rouanet (que deveria beneficiar artistas novos e com menos recursos) a artistas consagrados pela grande mídia, que não precisam de toda essa fortuna paga pelos nossos impostos e contribuições. A turnê da Cláudia Leitte, o blog de poesia da Maria Bethânia, a inauguração do hospital falido com a Ivete Sangalo e a risível caxirola de Carlinhos Brown, homologada pelo Governo para os jogos da Copa do Mundo. Além de uma pasmaceira latente e enjoativa de lararairerês, ieieieous, tchutchutchas e nanananas que invade as rádios FM.

Muito curioso, um produtor de mídia vir até uma rádio, e dizer que tal fenômeno é o resultado de um governo que vêm melhorando a vida de sua gente, assim que não temos mais assunto para fazer música de protesto. E eu, em minha limitada visão de como são as coisas, escreveria um ou dois livros (como fez Lobão) ou dois ou três álbuns inteiros só de protestos contra os absurdos de que ouço dizer todo santo dia no noticiário matinal. Além disso poderia citar neste exato momento, pelo menos 10 artistas da minha região que estão AGORA produzindo canções de insatisfação e denúncia contra algo em que acreditavam e hoje já não é mais possível, e outros 10 que se afastaram da grande mídia em virtude de uma postura dessas.

Enquanto alguns se calam em nome de uma convicção que não cabe mais, e que mesmo assim, ninguém se permite largar o osso ou dar o braço a torcer. Nós admitimos: O CONTO DE FADAS ACABOU! E olha só: não há final feliz. Não tem príncipe encantado e nem cavalo branco. Ninguém ressuscita no terceiro dia. O ‘Escolhido do Povo’, o ‘Salvador da Pátria’ esteve no comando, cansou de negar sua própria torpeza, se tornou um ser inabalável, inalcançável e inimputável. E rigorosamente NADA mudou!

Nada foi moralizado, nada do que foi fortemente criticado foi revertido, o cinismo começou a fazer parte do corolário político nacional à medida que a malandragem se tornou institucionalmente aceita, quase todos os parceiros da velha guarda, que colocou os Trabalhadores em Brasília, foi desmascarada em esquemas de corrupção e propina, a ponto de se tornar um partido desacreditado pelo seu próprio baixo-clero, que o abandonou de forma maciça, por não concordar com a grande mudança de postura na sua transição entre oposição e situação.

Mas continuam ali, vão os dedos e permanecem os anéis: quando indagados sobre sua torpeza, seus processos disciplinares e seus malfeitos; bradam e vociferam palavras de ordem, com a truculência dos antigos generais por eles mesmos combatidos há uns 30 anos atrás, nos mandam dar mais atenção ao futebol e à novela, por que, na opinião deles, é disso que o povo entende.

E a bandalheira chega tão longe que começa a haver um embargo econômico a novos artistas, novos profissionais da comunicação que não sejam os que falam bem do governo (ou os que abordam assuntos onomatopeicos), já ouvi falar de uma história parecida nos anos 60 ou 70. Será que a história vêm se repetir em pleno século XXI e tudo o que se tem a dizer é que o Lobão é um reacionário de classe-média?

Abra seus olhos. Veja além do óbvio. Vamos perceber a quantidade de verdade que há no conluio para que as coisas que vão mal pareçam ir bem. Não seja você também uma abominação ao não aceitar um posicionamento diverso. A democracia se consolida na diferença de opiniões, mesmo que pareçam absurdas e fora do contexto costumeiro.

A mídia massificada não pode proibir a mim ou a você ou ao Lobão de se expressar de forma clara, com conhecimento de causa e cercado dos melhores argumentos que se pode encontrar, ou ainda assim, rebatê-los com falácias de citações curriculares, acusações ad-hominem, falsas dicotomias e visões distorcidas.

Nosso direito de ser idiotas é erga omnes e é facultativo. Nada e ninguém no Estado Democrático de Direito pode me obrigar a ser um idiota que diz sim a tudo o que ouve. Portanto; ao ler esta obra, entenda qual o sentido da insatisfação:

  • Um país hipócrita, onde todo mundo ri da própria miséria.
  • Onde sempre se paga muito por muito pouco.
  • Onde qualquer um morre por causa de 30 dinheiros. E, no final, a culpa é da vítima que não teve o cuidado necessário.
  • Onde quem se dá bem, toma sem pestanejar, a porção que caberia aos a merecem. Vale a máxima da esperteza contra a justiça.
  • Onda a ocasião faz o ladrão e o ladrão faz a ocasião. Um país de bundas e peitos perfeitos. E de perfeita falta de vergonha e cultura.
  • Onde a esquerda tem características totalitárias e neo-fascistas.

E se você puder se fantasiar e dar uma sambadinha uma vez por ano, tá tudo legal, né?

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